Ah, o esporte! Mesmo aqueles que não o praticam com tanta assiduidade adoram assistir, isso é fato.

E não é por menos. O esporte reúne tudo o que nos prende a atenção e enche de entusiasmo: regras, estratégia, liderança, espírito de equipe, metas, vontade de fazer o melhor, e – por que não? – o grito de guerra.

Antes que você corra os olhos direto “aos finalmentes” do texto para concluir porque resolvi falar a respeito, ou, ainda, qual a relação do jogador de basquete do Cleveland Cavaliers com o treinamento de compliance, permita-me contar um pouco a respeito da liderança exercida por LeBron James.

O personagem não foi escolhido à toa. Embora eu seja bastante suspeita para citá-lo – sim, sou torcedora incondicional dos Cavs -, aqui não é a minha predileção que fala e, sim, a estatística: segundo o ranking da revista “Fortune”, publicado em março deste ano, LeBron James é o único atleta a figurar entre os 50 maiores líderes do mundo, ocupando a nada modesta 11ª posição (logo abaixo da Angela Merkel, acredite ou não).

Isso explica os apelidos dados a ele por jogadores, fãs, jornalistas e comentaristas desportivos: “King James” (Rei James) ou “The Boss” (O Chefe).

Ainda, justifica a escolha da imagem de destaque deste artigo. Nela,  James consegue engajar o time, como num único abraço, tendo, sobre a ponta de suas mãos mágicas, os dizeres: “All In” (em tradução livre, “todos dentro”, ou “todos incluídos).

Sua liderança e exemplo são espontâneos e têm peso. São reconhecidos e seguidos, dentro e fora das quadras, graças à capacidade despertar nos colegas e na torcida o espírito de que não existe derrota enquanto o cronômetro ainda estiver acionado e todas as rodadas não forem completadas.

Fomentando o trabalho em equipe, James não foi apenas o responsável pela mudança da cultura de um time. Ele revolucionou uma cidade inteira. 

Lebron-james-treinamento-compliance Treinamento de Compliance: o que a liderança de LeBron James pode nos ensinar

Cleveland era considerada amaldiçoada, por conta dos 52 anos sem celebrar absolutamente nada. Nenhum time da cidade conseguia ser campeão de, pelo menos, uma das três principais ligas esportivas dos Estados Unidos desde que o Browns faturou o título da NFL em 1964.

Para os moradores e torcedores, a situação era de completa desesperança, já não se acreditava mais que seria possível jogar para valer e ser campeão.

De volta à Cleveland em 2014, após uma temporada no Miami Heat, LeBron James iniciou uma paciente e promissora semeadura, prometendo incendiar o moral dos colegas e trazer de volta a alegria ao povo de Cleveland.

Em 20 de junho de 2016, ele conseguiu. James, literalmente, voou no último instante do jogo da final da liga contra o Golden State Warriors, e protagonizou uma virada milagrosa e inédita, provando que pensar e agir de modo diferente não é impossível, contanto existam vontade genuína e iniciativa.

A decisão da liga de 2016 é apontada entre as maiores de todos os tempos da NBA, e o emocionante vôo de LeBron James você confere clicando na imagem abaixo:

Lebron-james-treinamento-compliance Treinamento de Compliance: o que a liderança de LeBron James pode nos ensinar

E o que tem a ver o Treinamento de Compliance?

LeBron foi o suporte de todas as partes interessadas à sua volta, ensinando que a disciplina e a união de esforços podem transformar o destino de uma coletividade.

Quem atua na área de Compliance sabe que os maiores desafios na implementação e amadurecimento do programa são o aculturamento e o engajamento, tanto da clientela interna (gestores e colaboradores) quanto externa (fornecedores, clientes, parceiros, acionistas, além de autoridades públicas reguladoras) – aliás, para quem deseja compreender melhor o que é um programa de compliance, vale clicar aqui e baixar o nosso e-book totalmente dedicado ao tema.

Quando ingressamos nas empresas para abordar integridade e treinamento de compliance, é muito comum, principalmente nas que estão insuficientemente familiarizadas com o tema, que a primeira reação dos colaboradores seja de descrença:

“- O que? É sério? Quem disse?”

“- Iiiihhh! Isso não vai funcionar, não! Desculpa aí, Dra., mas aposto que vou ficar lá sentado nesse treinamento de compliance durante horas, ouvindo um monte de palestras que não servirão de nada para que, em menos de um mês, tudo volte a ser do jeito como sempre foi!”

Engana-se aquele que atribui esses discursos exclusivamente à subjetividade de cada colaborador.

Grande parte do preconceito enraizado nas equipes sobre ética e treinamento de compliance é imputável ao comportamento dos superiores hierárquicos, cujos exemplos cotidianos as desencorajam a fazer as coisas do jeito certo e lutar pelo sucesso da empresa e de todos que dela dependem. Sim, sucesso, pois o compliance é seu vetor quando aliado aos demais princípios da boa governança corporativa.

Apenas uma liderança bem exercida é capaz de movimentar ideias, quebrar paradigmas e conscientizar que trabalho não se resume à execução mecânica de uma função, mas, sim, à construção diária de uma grande e valiosa obra – como ensina o filósofo Mário Sérgio Cortella.

O segredo de um engajamento verdadeiro é a paixão por trás das condutas dos líderes, donos do programa de integridadePode parecer exagero ou uso de licença poética, mas não é.

A questão é que as equipes, seja no esporte ou na rotina empresarial, se espelham nos líderes.

É na preocupação de orientar e conscientizar o time, para que cada um entenda e desempenhe bem o seu papel, que o treinamento de compliance faz a intersecção entre os exemplos de liderança esportiva e liderança corporativa.

Lebron-james-treinamento-compliance Treinamento de Compliance: o que a liderança de LeBron James pode nos ensinar

Esse sentimento precisa ser exposto pelas lideranças de forma a contagiar e motivar os participantes do treinamento de compliance, justificado, nesse contexto, como pilar fundamental à solidez e eficácia do programa arquitetado.

De nada adianta o levantamento dos riscos inerentes ao ramo de atividade da organização, seguida da implementação de normas e políticas para mitigá-los, se, ao final, nada sai do papel. O incentivo às mudanças tem de ser visível a que todos se sintam impulsionados pela mesma energia e voltados a um objetivo comum.

Para que o código de ética, as políticas e os procedimentos façam sentido e sejam cumpridos à risca, seus destinatários precisam do treinamento de compliance, compreendendo onde exatamente se encaixam e qual a importância de cumprir as regras durante o exercício de suas funções, ademais das consequências em caso de desobediência.

É certo que o compliance somente existirá e caminhará quando houver, por parte da alta cúpula administrativa, preocupação em capacitar e, ao mesmo tempo, sensibilizar os destinatários das políticas e procedimentos através de treinamentos, para que saibam, sempre, o que, porque, quando e como fazer determinada tarefa, assegurando, assim, um alinhamento coletivo às diretrizes estratégicas de gestão.

Durante uma entrevista publicada no portal “ThePlayOffs”, ao comentar o título histórico conquistado pelo Cleveland Cavaliers, LeBron James mostrou o peso da confiança e perseverança na condução de um projeto repleto de obstáculos e rivalidade, dando ao público um exemplo de superação: “O jogo sempre dá voltas para aqueles que são verdadeiros para com o jogo… Eu tinha que ter calma para conduzir esses 14 caras.”

Em se tratando de compliance, o raciocínio não deve ser diferente. Quando a vontade de transformar a cultura da organização existe e é transmitida de forma verdadeira, com calma, paciência e determinação de um atleta esportivo, os resultados também serão verdadeiros e dignos de celebração.

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Abraços e até a próxima!

*** Roberta Volpato Hanoff é advogada especialista em Direito Empresarial, consultora em Compliance e organizadora do Studio Estratégia – Advocacia e Governança Corporativa.

e-mail: roberta@studioestrategia.com.br